domingo, 21 de setembro de 2014

O bom humor necessário

Um elemento essencial no processo de desenvolvimento da intimidade conjugal é o bom humor. O termo intimidade, aqui, não tem o sentido de sexualidade que muitas vezes lhe é atribuído, mas sim o de um encontro significativo, descrito pelo filósofo austríaco Martin Buber como algo que está além do subjetivo, aquém do objetivo, sobre a estreita serra onde se encontram o “eu” e o “tu”- o reino do “nosso”. Essa realidade, proveniente do encontro de duas pessoas, mostra o caminho que leva para além do individualismo e do coletivismo, a fim de chegar a um modelo relacional único.

Muitas tensões relacionais produzidas nas falhas de comunicação diárias, seja pelas limitações das palavras, seja pela ansiedade que bloqueia um ouvir pleno ou por qualquer outro motivo, poderiam ser diluídas com uma pitada de bom humor no relacionamento conjugal.

Há casais que jamais riem juntos. Muitos têm dificuldades de rirem de si mesmos e das trapalhadas do dia a dia. Fazemos e falamos muitas coisas equivocadas no nosso convívio diário e precisamos aprender a relaxar por meio do humor.

O terapeuta de casais e da família Jorge Maldonado afirma que nas famílias funcionais há um clima em que as pessoas se gostam, se divertem juntas. Em contraposição, as famílias disfuncionais demonstram menos energia e espontaneidade, e um tom de depressão e desesperança invade as interações e limita o desenvolvimento. O autor alerta que o excesso de seriedade pode tornar o convívio familiar destrutivo. 

Um casal de noivos, foi convidado para uma festa de aniversario na casa de um amigo cuja família era extremamente rígida e com pouca abertura para o humor. Na hora da despedida, o vestido dela acidentalmente esbarrou e um copo de cristal que estava na borda de uma mesa de centro. O copo caiu e quebrou. Houve um silêncio geral na sala e a dona da casa ficou parada à porta, apenas olhando com uma expressão séria. A garota ainda tentou catar os cacos e fazer algo para remediar a situação. Como todos ficaram muito sérios, o rapaz a tomou pela mão, se despediram e foram embora, com a sensação de terem cometido um crime hediondo. É o que acontece quando falta o bom humor nas famílias.

Criei um neologismo para tais casais e famílias – chamo-os de “famílias Hardy”, em alusão ao personagem do desenho animado Lippy e Hardy – o leão, otimista, e a hiena, pessimista –, no qual a hiena (Hardy) sempre acha que tudo vai terminar mal e só vê o lado negativo em tudo (“Oh dia, oh tristeza, oh azar…”).

O bom humor permite que uma família rompa o círculo vicioso da retroalimentação, que origina e mantém crônicos os problemas. É preciso brincar; com os filhos – sentar no chão, brincar de esconde-esconde pela casa ou outras brincadeiras criativas – e também com o cônjuge – fazer cócegas, correr na chuva ou coisas semelhantes.

Mesclar o bom humor e a brincadeira com a ternura e a expressão de carinho aprofunda os vínculos e a unidade conjugal. Afinal não é à toa que o apóstolo Paulo, repetidamente, exortava: “Alegrai-vos!” (Filipenses 3.1; 4.4). 

Fonte: Revista Ultimato – Edição 340 – Coluna Casamento e Família

Em Cristo,
Itamar Carrijo

4 comentários:

  1. Ótima postagem, mas faz tempo que não compartilha algo novo.

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    1. Obrigado, Helena.
      Realmente faz tempo, mas o objetivo é postar apenas quando o Espírito Santo de Deus me compele a escrever. Infelizmente, isso não tem ocorrido. Mas oremos. Quem sabe Ele resolva continuar esse trabalho e nos dê o privilégio de continuar servindo-o.

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  2. Respostas
    1. Olá Rogério.
      Tenho andado disponível ao Espírito Santo, para que Ele continue essa obra no blog. Enquanto isso não acontece, o trabalho secular tem se beneficiado do meu tempo. :)

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